Cafés Christina

A História

O Contexto

Em finais do séc. XVIII, as colinas do Porto apresentavam um comércio de grande dinamismo, fruto de uma conjuntura favorável que o reino vivia naqueles tempos de revoluções e guerras na Europa. Mas, com a chegada do séc. XIX, a prosperidade do Porto e arredores perdeu o esplendor diante da ambição, prepotência e má fé de Napoleão I, que lançaram Portugal num abismo de desgraças.

Com as atenções voltadas para França, a Europa de então não via com bons olhos Napoleão ser declarado Imperador em 1804.

Chocolate e Café

Foi nesse mesmo ano, a meio de três devastadoras invasões francesas que transformavam a cidade do Porto numa praça de guerra, onde a população enfrentava Jacobinos saqueadores, que o comerciante José Iria Carvalhal, dotado de um espírito de excepcionais qualidades de realização, montava uma pequena fábrica de chocolate e torrefacção de café, na extinta Rua do Bispo, nº 54, ao longo da Cancela Velha. Contrapondo o delicado risco dessa iniciativa pioneira, Carvalhal lançou no mercado um produto de esmerada execução, óptima qualidade e magnífico paladar. Pouco tempo depois, as vendas eram já de um volume apreciável, demonstrando nitidamente a larga aceitação do seu chocolate.

Casa Christina

Foi somente em 1813, quando José Iria Carvalhal casou com a Sr.ª D. Christina Ribeiro, que aquele honrado comerciante baptizou o seu estabelecimento de Casa Christina, título com o qual entrou triunfalmente na história económica do Porto.
Em 1855, por falecimento do fundador e sua esposa, a Casa Christina é transmitida a Rosa Guilhermina de Carvalho, que com o apoio do seu marido, Augusto de Carvalho, imprime um tal ritmo de desenvolvimento à produção e venda de cafés e chocolates que faz da casa Christina um dos mais prestigiados estabelecimentos comercias do Porto do início do séc. XIX.

No Século XX

Em 1920, no esplendor de Belle Époque, Victor H. França adquire todos os direitos sobre a marca, instalações e equipamentos, iniciando uma nova era de expansão da Casa Christina. Este procede a grandes transformações técnicas nas oficinas, adquire novos equipamentos de torrefacção de café e transfere a sede da empresa para a Rua Sá da Bandeira, nº 401, onde ainda hoje funciona o estabelecimento.

Em 1939 a Europa entra em guerra com a Alemanha Nazi. Nesse ano, com a morte de Victor H. França, sucedem-lhe a esposa e o sobrinho na direcção da Empresa. Em 1942, o pacto da firma é reformulado, constituindo-se uma sociedade na qual entraram o consagrado escritor Heitor Campos Monteiro e o comerciante Manuel Almeida, assumindo este a gerência.

Em Constante Modernização

Doze anos mais tarde, para melhor atender os clientes, procede-se à primeira remodelação do estabelecimento, onde ainda funcionavam a torrefacção, o armazém e a expedição dos Cafés Christina, chocolates e outros produtos. Manuel Dias Pinheiro, que tinha apenas 14 anos quando começou a trabalhar na Casa Christina, assumiu a sua gerência em 1967 por morte do tio.

Para acompanhar o grande desenvolvimento das vendas na indústria hoteleira, Dias Pinheiro manda construir um edifício, na Rua Engenheiro Ferreira Dias, onde instala uma nova unidade fabril e os sectores administrativo e comercial da empresa e, em 1981, procede à segunda remodelação da Casa Christina.

Património NESTLÉ


Em 1987, a Casa Christina passa a ser propriedade da NESTLÉ Portugal, que procede em 1996 à terceira remodelação do estabelecimento, mantendo o seu traçado original. Tendo sobrevivido a invasões, revoluções liberais, duas guerras mundiais, ascensão e queda de Napoleão, de Hitler e dos Beatles, a Casa Christina, completou em 2004, o privilégio de dois séculos de sucesso, tendo sempre seguido a honesta divisa do seu fundador: “produzir cada vez melhor”.

Grande parte dos seus clientes vêm de geração em geração e estão perfeitamente familiarizados com os funcionários do estabelecimento.

Quase um pequeno museu da história do café em Portugal, a Casa Christina, tradição do bom café no Norte e, em particular, no Porto, é o testemunho e a confirmação de que o respeito pelo património urbano e industrial é compatível com os mais elevados padrões de qualidade e sabor. Em 2004, os Cafés Christina comemoraram o seu bicentenário, uma efeméride dificilmente alcançável por qualquer outra marca. Modernizados e sustentados no seu classicismo são uma das mais antigas de todo o portfolio mundial de marcas da NESTLÉ.

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